Para especialista, experienciar o aqui e o agora é essencial para viver melhor

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Às vezes parece que a vida está passando diante de nós. Quando somos crianças, o tempo passa, com viagens de carro sem fim e férias de verão que parecem durar para sempre. Mas, como adultos, o tempo parece acelerar a um ritmo assustador, com o Natal e aniversários chegando mais rapidamente a cada ano.

Mas talvez você não precise se sentir assim. Nossa experiência de tempo é flexível, acelerando em algumas situações e desacelerando em outras. Existem até mesmo alguns estados alterados de consciência (como sob a influência de drogas psicodélicas, em situações traumáticas, ou quando os atletas estão “na zona”) em que o tempo parece desacelerar para um grau extraordinário.

Então, talvez, ao entender os processos psicológicos por trás de nossas diferentes experiências do tempo, possamos desacelerar um pouco as coisas.

Em meu livro Making Time, eu sugiro uma série de “leis” básicas do tempo psicológico, como experimentadas pela maioria das pessoas. Uma delas é que o tempo parece acelerar à medida que envelhecemos. Outra é que o tempo parece desacelerar quando estamos expostos a novos ambientes e experiências.

Essas duas leis são causadas pelo mesmo fator subjacente: a relação entre a nossa experiência de tempo e a quantidade de informação (incluindo percepções, sensações e pensamentos) que nosso processo mental. Quanto mais informações nossas mentes recebem, mais lentamente o tempo parece passar.

Isso explica em parte porque o tempo passa tão devagar para as crianças e parece acelerar à medida que envelhecemos. Para as crianças, o mundo é um lugar fascinante, cheio de novas experiências e novas sensações. À medida que envelhecemos, temos menos novas experiências e o mundo à nossa volta se torna mais e mais familiar.

Ficamos insensíveis à nossa experiência, o que significa que processamos menos informações e o tempo parece acelerar. (Outro fator pode ser o aspecto “proporcional”, ou seja, à medida que envelhecemos, cada período de tempo constitui uma proporção menor de nossa vida como um todo.)

Segue-se, então, que nossa experiência do tempo deve se expandir em um ambiente desconhecido, porque é onde nossas mentes processam mais informações do que o normal. Quando você vai para um país estrangeiro, você é muito mais sensível ao seu entorno. Tudo é estranho e novo, então você presta muito mais atenção e absorve muito mais informações.

É o mesmo quando você passa um dia em um curso de treinamento, aprendendo coisas novas com um grupo de pessoas desconhecidas. Parece que passou mais tempo do que se você tivesse ficado em casa seguindo sua rotina normal.

Tudo isso leva a duas sugestões simples sobre como podemos expandir nossa experiência do tempo.

Em primeiro lugar, uma vez que sabemos que a familiaridade faz o tempo passar mais rápido, podemos desacelerar o tempo, expondo-nos a experiência tão novas quanto possível. Viajando para novos lugares, dando-nos novos desafios, conhecendo novas pessoas, expondo nossas mentes a novas informações, passatempos e habilidades, e assim por diante. Isso aumentará a quantidade de informações que nossas mentes processam e amplia nossa experiência de passagem de tempo.

Em segundo lugar, e talvez de maneira mais eficaz, podemos desacelerar o tempo fazendo um esforço consciente para ser mais “conscientes” de nossas experiências. A atenção plena significa dar toda o nosso foco a uma experiência — ao que estamos vendo, sentindo, saboreando, cheirando ou ouvindo — em vez de aos nossos pensamentos.

No momento
Significa viver através dos nossos sentidos e da nossa experiência, e não através das nossas mentes. É uma abordagem diferente para evitar a familiaridade — e isso não acontece quando buscamos por novas experiências, mas quando mudamos nossa atitude em relação às nossas experiências.

Quando você estiver tomando banho de manhã, por exemplo — em vez de deixar sua mente tagarelar sobre as coisas que você tem que fazer hoje ou as que fez na noite anterior, tente trazer sua atenção para o aqui e o agora, para realmente estar ciente da sensação da água espirrando e escorrendo pelo seu corpo e a sensação de calor e limpeza que você sente.

Ou a caminho de casa do trabalho, no ônibus ou no trem — em vez de refletir sobre todos os problemas com os quais você teve que lidar no trabalho, concentre sua atenção fora de si mesmo. Olhe para o céu, para as casas e edifícios pelos quais você passa e esteja consciente de si mesmo aqui, viajando entre eles.

Quando fizer tarefas como cortar a grama ou lavar a louça, não ouça música nos fones de ouvido ou sonhe acordado. Dê atenção aos objetos e fenômenos ao seu redor e às sensações físicas que estiver vivenciando.

Uma coisa que você descobrirá é que essas tarefas se tornam mais agradáveis. E você também descobrirá que essa atitude aberta e alerta às suas experiências tem o efeito de expansão do tempo, uma vez que a atenção aumenta a quantidade de informações que processamos.

Deste ponto de vista, não precisamos pensar no tempo como um inimigo. Até certo ponto, podemos entender e controlar nossa experiência da passagem do tempo.

Muitos de nós tentam ter a certeza de que podemos viver o máximo possível, comendo boa comida e fazendo exercícios, o que é sensato. Mas é possível aumentarmos a quantidade de tempo que experimentamos em nossas vidas de outra maneira — expandindo nossa experiência de tempo.

Fonte: Galileu

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