Segundo estudo, o sistema olfativo é afetado pela privação de sono e mudam nossas escolhas sobre o que comer

Pesquisadores explicam o motivo de pessoas preferirem alimentos com mais calorias após uma noite sem dormir (Foto: Pexels)

Um novo estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, descobriu por que as pessoas sentem vontade de comer alimentos mais calóricos depois de uma noite dormindo pouco. É tudo culpa do sistema olfativo. 

O olfato é afetado de duas maneiras pela privação do sono. Primeiro, ele entra em um modo de operação mais intenso para diferenciar melhor odores alimentares dos não alimentares. Só que, simultaneamente, ocorre uma falha na comunicação com outras áreas do cérebro ligadas à alimentação, e as decisões sobre o que comer mudam.

“Quando você não dorme bem, essas áreas do cérebro podem não estar recebendo informações suficientes, e você está compensa escolhendo alimentos mais calóricos”, disse o autor sênior do estudo, Thorsten Kahnt, professor-assistente de neurologia da Northwestern University Feinberg School of Medicine.

Os pesquisadores fizeram um experimento com 29 homens e mulheres, com idades entre 18 e 40 anos. Eles foram divididos em dois grupos: um dormiu uma quantidade de horas considerada suficiente durante quatro semanas; depois, passaram o mesmo período descansando apenas quatro horas ao longo da noite. A experiência foi ao contrário para o segundo grupo. 

Após cada noite, os cientistas serviam aos participantes um menu controlado para café da manhã, almoço e jantar, mas também lhes ofereciam um buffet de lanches. Assim, analisavam o que eles comiam e em qual quantidade. 

Eles perceberam que as pessoas mudavam suas escolhas alimentares quando dormiam menos e optavam por comidas mais calóricas, como donuts, biscoitos de chocolate e batatas fritas. Os pesquisadores também mediram os níveis sanguíneos de compostos endocanabinóides envolvidos na regulação do apetite, no sistema imunológico e no controle da dor. As análises mostraram que um dos compostos aumentava após uma noite de privação do sono, o que explicaria as (más) escolhas à mesa. 

Os participantes também passaram por uma ressonância magnética enquanto sentiam cheiros de alimentos e outros odores. Os pesquisadores queriam saber se existia alguma alteração no córtex piriforme, a primeira região do cérebro que recebe informações do nariz. Eles descobriram que a atividade no córtex piriforme percebia mais a diferença entre odores alimentares e não alimentares quando os indivíduos tinham dormido pouco.

Isso porque o córtex piriforme normalmente envia informações para outra área do cérebro, o córtex insular — a ínsula recebe sinais importantes para a ingestão de alimentos, como cheiro, sabor e quanta comida há no estômago. Mas a ínsula de um indivíduo privado de sono mostrou conectividade reduzida com o córtex piriforme – o que também tem a ver com a alimentação no dia seguinte. 

Segundo Kahnt, quando o córtex do piriforme não se comunica adequadamente com o córtex insular, certos odores são percebidos de forma mais intensa – e a tendência é comermos mais. A solução para evitar isso não é apenas garantir boas noites de sono: quando dormir pouco, evite passar na frente da sua hamburgueria favorita. Assim, nem você, nem seu nariz , passa por qualquer tipo de tentação.  

Fonte: Galileu

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