Estado gerou até agora 28,6 mil vagas, mas nem todas as regiões se comportaram assim

Foto: Arquivo

A série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que a partir de agora sofrerá o impacto da reforma trabalhista e prejudicará futuras comparações, mostra que o nível de emprego vem melhorando no Brasil, mas que ainda está em um patamar muito aquém do registrado ao longo da década de 2000. Em 20 estados o saldo está positivo no período de janeiro a setembro de 2017, mas em apenas sete estados o crescimento foi consistente – o Paraná aparece na sexta colocação, em números absolutos, com a criação de 28,6 mil vagas.

O desempenho positivo de 2017 se deve quase que exclusivamente ao dinamismo das microempresas. Considerando apenas as empresas com 1 a 4 funcionários, o saldo é de 50,6 mil empregos no Paraná. Isso significa que as empresas com mais funcionários demitiram em proporção bem maior do que contrataram, e por isso o resultado geral do estado ficou abaixo disso.

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Com a recessão brasileira, o Brasil fechou vagas em 2015 e 2016, apresentando saldos negativos ao longo do ano. No Paraná não foi diferente: entre janeiro e setembro de 2015, foram fechados 14,4 mil postos de trabalho; em 2016, outras 20,7 mil vagas fechadas. Agora, em 2017, o saldo no mesmo período está positivo em 28,6 mil. Na série histórica da Evolução do Emprego do Caged (EEC), que teve início em 2003, o pior ano tinha sido o de 2009, na esteira da crise econômica mundial, e mesmo assim com o saldo positivo de 75,6 mil vagas criadas. O recorde estadual foi em 2010, com saldo positivo de 149,1 mil vagas.

Segundo Julio Suzuki, presidente do Ipardes, os estabelecimentos pequenos são intensivos em mão de obra, e a qualquer sinal de melhora na economia, precisam contratar funcionários. “A produtividade do trabalho das microempresas é praticamente estável. Se aumentam as vendas de um comércio, é preciso contratar para atender aos clientes.

O mesmo ocorre com um restaurante. Se aumenta o movimento, precisa contratar um cozinheiro a mais, porque não tem nenhuma opção tecnológica que a substitua”, explica. No caso das grandes empresas, diz Suzuki, o aumento da produtividade via robotização ou outros processos tecnológicos permite o aumento da produção mesmo sem a contratação de mão de obra.

O economista Sandro Silva, do Dieese, lembra ainda que, em momentos de crise, muitos trabalhadores são demitidos e partem para o empreendedorismo, o que também ajuda a explicar os números positivos das microempresas. “A pessoa que foi demitida recebe o dinheiro da rescisão e tenta se aventurar em um negócio próprio. A dúvida é saber quantas dela vão conseguir sobreviver”, avalia.

Dificuldades

Segundo o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Marco Tadeu Barbosa, o saldo do emprego está crescendo em termos gerais, mas alguns setores e algumas regiões ainda estão patinando. “A questão é que temos vários Paranás. Na Região Metropolitana de Curitiba mesmo, há cidades do Vale do Ribeira, com uma realidade. O Litoral também tem particularidades. No Oeste há um desenvolvimento mais disseminado, algo que não ocorre na região de Maringá, por exemplo, uma cidade rica, mas cercada por outras não tão desenvolvidas”, enumera.

Onde o emprego mais cresceu

Segundo dados do Caged, o melhor desempenho no saldo de emprego é o da mesorregião Noroeste, que tem Umuarama como cidade-polo, com saldo positivo de 7 mil vagas entre janeiro e setembro de 2017. Em seguida aparecem o Oeste (6,7 mil); Norte Central, com Londrina e Maringá (6,5 mil); Sudoeste, com Francisco Beltrão (4,7 mil); e Centro Oriental, com Ponta Grossa (3 mil). Outras três regiões tiveram crescimento mais tímido: Sudeste, com Irati como cidade-polo, teve saldo de 970 contratações; Centro-Sul, com Guarapuava, apenas 419 vagas criadas; Centro-Ocidental, com Campo Mourão, com 504. A Região Metropolitana de Curitiba, por sua vez, continua registrando fechamento de vagas: o saldo ficou negativo em 4,2 mil.

Para Barbosa, o governo estadual precisa atuar para melhorar a infraestrutura de todas as regiões do estado, favorecendo o desenvolvimento regional e, consequentemente, o nível de emprego por todo o Paraná. Outro pedido do empresariado diz respeito às alíquotas de ICMS das micro e pequenas empresas no Simples Nacional. O Projeto de Lei nº 557/17, em trâmite na Assembleia Legislativa, prevê novas faixas de alíquotas. As entidades criticam a elevação do imposto.

O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, explica que somente as maiores delas terão aumento da carga tributária, mas que mesmo assim o impacto será reduzido. E que outras menores pagarão menos imposto, por causa da adoção de uma tabela progressiva.

Estados com geração de emprego

Apenas sete estados (entre eles o Paraná) tiveram saldo positivo no emprego, em 2017. Mesmo nestas regiões, a melhora ainda é bastante tímida.

Fonte: Tribuna PR