Entrar em um museu é sempre uma experiência cultural, um aprendizado. O acervo geralmente traz peças que remetem à cultura, como pinturas, gravuras, esculturas e obras de arte em geral

MUSEU IML Foto: Geraldo Bubniak

Mas o que esperar de uma visita ao Museu de Ciências Forenses do Instituto Médico-Legal?

Se você pensou que veria corpos cobertos por plásticos pretos está totalmente enganado. O Museu do IML, da Polícia Científica do Paraná, ligado à Secretaria de Segurança Pública, guarda histórias curiosas de pessoas que foram vítimas ou que cometeram algum crime. O museu ocupa uma das salas do novo prédio do Instituto Médico-Legal, em Curitiba, no bairro Tarumã.

Um breve passeio por lá e você vai encontrar evidências de crimes sem solução, corpos não identificados até os dias de hoje, órgãos humanos “em conserva”, armas usadas em homicídios e tantas outras curiosidades. O local, que recebe anualmente cerca de 3 mil pessoas, possui peças de caráter didático.

A maior parte do acervo é de peças que servem para orientar pesquisas de estudantes e profissionais das áreas da medicina, odontologia, direito, enfermagem e farmácia, por exemplo. Há vários exemplares de fetos, cadáveres mumificados, caveiras, ossadas e outros materiais relacionados ou resultantes de crimes, que estão ali dispostos e organizados com finalidade didática. Mas não é só, o Museu expõe máquinas e equipamentos antigos para o desenho de retratos falados, checagem de DNA, crematório de ossos para exames de tecido e por aí vai.

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 O médico legista Joel Camargo: “o mais importante é o respeito”

CSI CURITIBA

Esqueça tudo o que você aprendeu nos filmes e séries sobre a polícia científica e medicina forense. A ficção é sempre mais atrativa, mas para quem precisa estar na rotina da tragédia que chega ao IML todos os dias, não tem nada do glamour dos filmes.

O médico legista Joel Camargo é o curador do Museu de Ciências Forenses do IML e diz que para dar conta de toda essa atmosfera, que envolve necessariamente histórias tristes e de violência, pensa no que de bom pode ensinar através delas.

Joel trabalha no museu há muitos anos e diz que respeitar a história dos mortos e de seus familiares ajuda a lidar com a rotina. “O mais importante é o respeito. Eu tenho respeito por eles, eu converso com eles, eu ensino com eles. Cada vez que um jovem vem aqui, sai transformado e isso faz toda a diferença. Perceber como a vida é frágil e como, caminhos como o da droga, por exemplo, levam à violência. Faz com que eles parem para pensar”, afirma.

DO CIENTÍFICO AO BIZARRO

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Feto E.T.

Mas é claro que além do acervo científico, muitas curiosidades estão ali expostas. No Museu do IML do PR você vai poder ver algumas peças bizarras e outras pitorescas.

Há poucos meses o museu recebeu um “feto” com cabeça do que seria um extra-terrestre. Isso mesmo que você leu. O feto em questão foi levado para análise por se tratar de algo fora do comum e por lembrar um “ser de outro mundo”. Análise feita e descobriu-se que o “feto E.T”, na verdade se trata de um boneco feito à mão, nos mínimos detalhes, que provavelmente teria sido usado num ritual de cunho religioso.

E o que dizer da caixa com centenas de peças íntimas de mulheres que foram vítimas de crimes sexuais nos anos 80 e 90? Cada uma delas representa um crime que foi investigado e solucionado pelas forças policiais. São provas, mas que com o passar dos anos, tornaram-se parte do acervo do museu.

PARAIBINHA – O “SERIAL KILLER”

Paraibinha, como é chamado no museu é um serial killer dos anos 70. Seu corpo nunca foi identificado. O que se sabe sobre ele é que foi um “assassino famoso” (apesar de nunca ter sido oficialmente identificado pela polícia – nesses casos a não identificação se dá pelo fato de não haver documentos e de não haver família reclamando o corpo) e de alta periculosidade, nos anos 70, na região de Morro Grande, em Campo Largo, região Metropolitana de Curitiba.

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Barba, cabelo e bigode! Mistério de Paraibinha que a ciência não explica.

O corpo de Paraibinha está mumificado e exposto no museu assim como os corpos que de outros desconhecidos que foram para por lá. Apesar de sua morte no final dos anos 70, até hoje Paraibinha é um enigma – seu corpo continua produzindo pelos, mesmo estando mumificado, segundo o curador do Museu.

MISTÉRIO

Os cabelos continuam crescendo, o que exige cuidados diários de Joel. ele conta que precisa aparar o cabelo e a barbar de Paraibinha até os dias de hoje.

Bizarro, mas é verdade!

A explicação: ninguém sabe! Segundo Joel Camargo, não há explicação científica que explique o fato do crescimento de pelos e cabelos no cadáver mumificado, depois de décadas. “Não deveria crescer cabelo, são células mortas, mas está crescendo como se pode ver. Não temos explicação científica pra isso”, afirma o curador.

Paraibinha não tá só. Fred, outro cadáver mumificado, que também está exposto no museu, tem madeixas que crescem com o passar dos anos. Não identificado até hoje também, Fred, como foi apelidado pelos funcionários, morreu de causa natural em casa, no final dos anos 70. De lá pra cá, os cabelos nunca pararam de crescer e Joel precisa estar sempre aparando o corte.

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Para a especialista em Entomologia Médica e Acarologia, a coordenadora do curso de Pós-Graduação em Ciências da Investigação Forense da Universidade Positivo, Karine Vairo, o que realmente acontece ali está mais ligado à nossa percepção. A professora explica que é impossível o crescimento dos cabelos e pelos em um corpo mumificado há tantos anos. Ela afirma que o mais provável é que, com a mumificação o corpo tenha desidratado e gerado um emagrecimento, dando assim a impressão de que há crescimento de cabelos e pelos. “O corpo quando mumificado acaba desidratando mesmo, acaba ficando mais magrinho, perde massa, volume. Isso dá uma impressão de que cabelos e barba crescem. Biologicamente não é possível que haja crescimento de barba e cabelos após a morte”, afirma a especialista.

BEBÊ PEDRA

Outra imagem que choca, mas que está exposta para fins educativos é a do “Bebê Pedra“. Conhecida cientificamente como Litopédio, se trata de uma ocorrência rara, com pouquíssimos registros no Brasil.

Normalmente, quando um feto morre ainda no corpo da mãe inicia-se um processo aonde o organismo materno envolve o feto com cálcio. Para evitar infecções o corpo da mãe começa a calcificar o feto ou a placenta e em pouco tempo o feto vira pedra. Ele pode ficar retido na cavidade abdominal da mãe por décadas.

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Bebê Pedra – ocorrência é rara

FANTASMAS NO MUSEU?

Com tantas histórias de crimes e violência abrigadas no museu, não era de se estranhar que fenômenos estranhos acontecessem por ali. Joel diz que ele mesmo nunca viu nada. “Coloco sempre Deus na frente e nunca abuso. Converso com todos eles, com o maior respeito. Nunca vi, nem ouvi nada, mas também não quero ver”, conclui.

Mas não é o que dizem os vigias que fazem a guarda noturna do prédio. Alguns deles já relataram terem visto o espírito de Paraibinha caminhando pelos corredores do museu durante à noite. Para o curador, essa história do famoso serial killer é conhecida, mas espera nunca ver o fantasma do seu estimado cliente de corte de cabelo. ” Já ouvi de alguns vigias que o fantasma dele anda por aqui. Eu não quero nem saber disso, não quero ver. A gente não tá sozinho né? É bom respeitar os mortos”, diz o médico legista.

QUEM PODE CONHECER O MUSEU?

Somente grupos de profissionais e de estudantes de áreas afins à Medicina Legal podem fazer visitas marcadas às instalações, com guia especializado.

O acesso ao local é restrito e depende de agendamento prévio pelo telefone 3361-7200, opção 4 – Gabinete do IML.

As visitas são marcadas conforme disponibilidade de agenda.

O museu fica localizado na Rua Paulo Turkiewicz, 150, no bairro Tarumã, em Curitiba.

Fonte: Paraná Portal

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