No primeiro trimestre de 2019, as compras de ouro pela Rússia atingiram níveis recorde, o que é um “mau sinal” para o mundo, escreve o jornal Daily Express com referência ao chefe do departamento de pesquisa da corretora internacional BullionVault, Adrian Esch.

A publicação afirma que a Rússia aumentou as reservas de ouro em 145,5 toneladas no primeiro trimestre de 2019, o que representa 68% mais de que no mesmo período de 2018.

O World Gold Council (Conselho Mundial do Ouro, WGC) tinha recentemente divulgado que, nos primeiros três meses deste ano, Moscou comprou 55,3 toneladas, tendo a reserva total atingido 2.168 toneladas.

De acordo com o Daily Express, a Rússia está acumulando reservas de ouro e, ao mesmo tempo, diminuindo os investimentos em títulos americanos, procurando também reduzir a dependência do dólar. Assim, Moscou persegue o objetivo de se defender contra uma provável crise da economia global.

“As grandes compras de ouro pelos governos ou bancos centrais raramente são um bom sinal para a paz e a cooperação mundial”, indicou Esch, citado pelo jornal.

No entanto, a edição destaca que a Rússia ainda permanece em quinto lugar no mundo em termos de reservas totais de ouro, enquanto o próprio metal precioso representa menos de 20% das reservas internacionais do país.

Entretanto, destaca o especialista, se Moscou continuar comprando ouro no mesmo ritmo, poderá em breve ultrapassar a França e a Itália e entrar na lista de três principais países com as maiores reservas desse metal, fortalecendo assim sua posição na arena mundial.

Além disso, Moscou considera o ouro como um meio de limitar o poder dos Estados Unidos:

“A regra de ouro diz: quem tem ouro, tem poder”, palavras de Adrian Esch citadas pelo jornal.

Ao mesmo tempo, o Daily Express observa que os Estados Unidos continuam sendo o maior detentor de ouro no mundo, o que confirma a capacidade de países com grandes reservas deste metal precioso exercerem enorme influência na situação mundial.

No entanto, para alcançar os EUA nessa área, a Rússia terá que comprar todo o ouro disponível no mercado internacional durante os próximos 20 anos, concluiu.

Nessa conexão, o cientista político russo Andrei Suzdaltsev indicou ao serviço russo da Rádio Sputnik que a situação no mercado financeiro está mudando.

“Não somos só nós que estamos comprando ouro ativamente, mas é também, por exemplo, o Irã, a China tem grandes reservas. É uma tendência geral. Está ligada com as objeções em relação à principal moeda de reserva, o dólar”, explicou.

Ademais, o especialista destacou que atualmente “as medidas conjuntas de regulação da atividade bancária equipam o ouro às moedas livremente convertíveis”.

“É natural que queiramos diversificar as nossas reservas internacionais. […] A correlação de moedas de reserva está se alterando. A tendência principal — a substituição gradual de dólar na circulação financeira internacional — encontra mais confirmações e outra coisa não seria de esperar”, enfatizou.

Fonte: Sputnik