No sábado (4), Guaidó admitiu que a oposição tinha calculado mal seu apoio dentro das Forças Armadas durante a tentativa de golpe contra o legítimo presidente venezuelano Nicolás Maduro no dia 30 de março.

O líder da oposição revelou em uma entrevista exclusiva ao jornal Washington Post que esperava que Maduro desistisse em meio a uma onda de desertores dentro das forças militares do país.

“Porque o fato de termos feito o que fizemos, e não termos conseguido na primeira vez, não significa que não seja válido […] Estamos enfrentando um muro que é uma ditadura absoluta. Reconhecemos nossos erros — o que não fizemos, e [o que] fizemos em demasia”, disse.

O apelo de Guaidó para que as bases e os oficiais superiores dos militares abandonassem Maduro não produziu deserções em massa, observou o líder da oposição.

“Talvez porque ainda precisamos de mais soldados, e talvez precisemos de mais funcionários do regime para estarem dispostos a apoiá-lo, para apoiar a Constituição […] Acho que as variáveis são óbvias neste momento”, continuou.

Ele também indicou que qualquer apoio militar americano deve estar ao lado das forças venezuelanas que se voltaram contra Maduro, mas não deu mais detalhes sobre o que seria aceitável.

O líder da oposição também disse que saudou as recentes discussões sobre opções militares em Washington, chamando-as de “excelentes notícias”.

“Isso é uma excelente notícia para a Venezuela porque estamos avaliando todas as opções. É bom saber que aliados importantes como os EUA também estão avaliando a opção. Isso nos dá a possibilidade de que, se precisarmos de cooperação, sabemos que podemos obtê-la”, afirmou, acrescentando que há soldados venezuelanos que querem “acabar com [as guerrilhas de esquerda] e ajudar o apoio humanitário a entrar, que ficariam felizes em obter cooperação para acabar com a usurpação.”

Segundo o artigo, Guaidó revelou que não concordaria em se sentar e negociar com Maduro, a menos que ele se afastasse do seu posto como presidente da Venezuela.

“Sentar-se com Maduro não é uma opção […] Isso aconteceu em 2014, em 2016, em 2017… O fim da usurpação é uma pré-condição para qualquer diálogo possível”, ressaltou.

Na sexta-feira (3), o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, e os generais do Pentágono deixaram claro que todas as opções para resolver o conflito venezuelano estão “sobre a mesa”.

A crise em torno da Venezuela tem se intensificado desde 23 de janeiro, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino e foi imediatamente apoiado pelos EUA e seus aliados, enquanto Maduro recebeu o suporte de vários países, incluindo Rússia e China, e foi reconhecido como o único presidente legítimo da Venezuela.

Fonte: Sputnik

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