Depois do famoso golpe do motoboy, aonde bandidos convencem clientes de operadoras de cartão de crédito que seus cartões foram clonados e que é necessário entregá-lo para um motoboy, supostamente ligado à instituição financeira, um golpe ainda mais sofisticado tem feito várias vítimas no Paraná

Pixabay

Agora, estelionatários acessam o aplicativo de conversas da vítima e disparam pedidos de depósitos em dinheiro para a lista de contatos – é o golpe do WhatsApp.

NUCIBER (Núcleo de Combate aos Cibercrimes da Polícia Civil do Paraná), recebe dezenas de denúncias por dia de clientes que foram vítimas desse tipo golpe.

É tudo tão bem elaborado que a vítima entrega seus dados aos estelionatários, sem a menor desconfiança. Um ponto em comum que liga as vítimas é que todas elas fizeram algum anúncio em plataformas de vendas pela internet.

O GOLPE

Primeiro a vítima faz um anúncio em um site de compra e venda na internet. Assim que ela posta as informações do produto que quer vender, com os seus dados pessoais como nome e telefone, a quadrilha imediatamente faz o contato, através do telefone anunciado.

O golpe é tão organizado que fica fácil convencer a vítima de que trata de um funcionário da plataforma de anúncios, informando os dados da venda. É nesse momento que os bandidos convencem o anunciante do produto que é necessário acessar um código que será enviado por SMS para validar o anúncio.

A quadrilha passa então a ter total controle do aplicativo de WhatsApp registrado no número do celular da vítima, que fica sem o acesso.

Os criminosos disparam mensagem para os contatos registrados no celular, geralmente parentes e amigos próximos, pedindo o depósito de um valor em dinheiro a fim de atender uma emergência.

VÍTIMAS

Foi exatamente o que aconteceu com o consultor de carreiras, Cassiano Marcelus Ferreira. Minutos depois da publicação do anúncio da venda de um carro, em uma plataforma de compra e venda de veículos, a quadrilha entrou em contato, com todas as informações relacionadas ao carro e a postagem do consultor.

Se passando por um funcionário da plataforma, o estelionatário pediu para que ele validasse o código de verificação enviado por SMS e assim confirmar anúncio no site. Sem desconfiar de nada, Cassiano fez a verificação e perdeu o acesso ao WhatsApp logo em seguida.

“Foram apenas dois minutos entre a postagem e o telefonema. Deveriam estar monitorando já. Recebi o SMS, ainda falando ao telefone sobre a validação do anúncio. Assim que acessei o código, o WhatsApp perdeu a conexão. Quando fui ler a mensagem com calma percebi que vinha do próprio aplicativo. Foi só aí que entendi que havia caído em um golpe”, conta o consultor.

ALERTA

Para o delegado aposentado e agora consultor na área de crimes digitais, Demétrius Gonzaga de Oliveira, os criminosos  passam boa parte do tempo garimpando anúncios de potenciais vítimas.

O consultor que já foi o delegado-chefe do NUCIBER, faz o alerta: “Nunca responda mensagens que solicitem verificação de códigos por SMS e desconfie sempre desse tipo de pedido quando você mesmo não fez nenhuma solicitação”.

Demétrius explica ainda que esse tipo de fraude pode ser evitada com o simples processo de dupla checagem disponível nas configurações do WhatsApp.

Para saber como funciona a verificação de conta em duas etapas do WhatsApp clique aqui.

O especialista orienta que as vítimas busquem imediatamente uma delegacia para o registro do boletim de ocorrência além de alertar por outros canais do ocorrido. “Quanto mais rápido a pessoa informar à sua rede de contatos de que o WhatsApp está nas mãos de bandidos, maiores as chances da quadrilha não conseguir receber os depósitos”, explica Demétrius.

cassiano
Um dos amigos do consultor combina com a quadrilha o suposto depósito

Assim que entendeu o golpe, o consultor Cassiano avisou seus contatos pelas redes sociais. Ele conta que vários amigos começaram a ligar pra saber o motivo do pedido de dinheiro. Um dos amigos do consultor chegou a conversar com a quadrilha e a combinar o pagamento. “Meus amigos começaram a me ligar pra entender o que estava acontecendo e por sorte ninguém fez o depósito”, desabafa.

Para a diretora do Procon-PR, Cláudia Silvano, é preciso investir em informação. “É muito importante que antes de qualquer negociação de compra e venda pela internet, o consumidor fique atento às informações de fraudes nas próprias páginas que fazem  intermediação desse tipo de negócio”. Sempre que o consumidor se sentir lesado pode buscar orientações no Procon da sua cidade ou pela plataforma www.consumidor.gov.br.

Demétrius explica ainda que além do boletim de ocorrência, a vítima precisa entrar em contato com o aplicativo e solicitar o bloqueio da conta. Geralmente o WhatsApp  exige uma prazo de 7 dias para reconfigurar a conta e liberar novamente o aplicativo para o usuário. A reportagem do Paraná Portal fez contado com a empresa do aplicativo, mas até o fechamento da matéria, não obteve resposta.

Além disso é importante acionar a operadora do celular e autoridades de proteção ao consumidor, bem como bancos e instituições financeiras. Quanto mais dados referente à origem da quadrilha e ao destino dos depósitos, mas rapidamente as investigações podem alcançar os criminosos.

Fonte: Paraná Portal