Quando você vê alguém fumando, é comum que a pessoa esteja rodeada por uma quantidade considerável de fumaça

Esta “névoa” é formada porque, ao acender o cigarro, o fumante dá início ao processo de queima do tabaco. A combustão ocorre a temperaturas superiores a 600°C, fazendo com que o cigarro libere milhares de substâncias nocivas ao organismo, como monóxido de carbono e amônia, prejudicando o bom funcionamento dos órgãos e tecidos, como traqueias, laringe, próstata, mamas e até o cérebro. No longo prazo, os efeitos das substâncias tóxicas vindas da fumaça também podem ser notados no coração do fumante. Surgem problemas como a hipertrofia cardíaca, que diminui a capacidade do coração de bombear sangue, e hipertensão crônica. Juntos, os dois quadros geram um alto risco de infarto. 

Novas tecnologias que eliminam a combustão têm se mostrado alternativas para pessoas que querem continuar a consumir tabaco. Os cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido são, portanto, alternativas para fumantes que não querem deixar de fumar, mas buscam levar uma vida mais saudável. “Todos os estudos evidenciam que a combustão do tabaco é a principal fonte de substâncias tóxicas e, por isso, os cigarros eletrônicos, que trazem uma tecnologia que aquece e vaporiza, sem queimar o tabaco, são inegavelmente muito menos prejudicais aos seus usuários”, garantiu o médico e pesquisador Scott Gottlieb, ex-chefe do centro de estudos do Food and Drug Administration (FDA), o departamento de saúde dos Estados Unidos. 

“Se não existem alternativas imediatas de se extinguir o cigarro dos hábitos de consumo, já que a liberdade de escolha das pessoas precisa ser preservada, encontrar caminhos menos nocivos de entrega de nicotina precisam ser analisadas com mais racionalidade”, diz Scott Gottlieb, ex-chefe do centro de estudos do Food And Drug Administrarion (FDA).

É unânime que para evitar totalmente os riscos, o melhor é nunca começar a fumar. Para quem já começou, a melhor opção é parar. Apesar disso, uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra que ainda há cerca de 20 milhões de fumantes no país – ou 9,3% da população –, colocando o tabagismo como uma questão de saúde pública. Por isso, é importante dar ao adulto fumante o acesso a alternativas melhores do que o cigarro e sem a combustão no consumo de tabaco. 

Um estudo do Departamento de Saúde da Inglaterra, o Public Health England (PHE) traz uma avaliação da professora Ann McNeill, principal autora e professora de dependência de tabaco no King’s College, de Londres, no qual ela destaca a importância de se ampliar o debate sobre os efeitos nocivos da fumaça do cigarro na saúde pública. “As pessoas fumam pela nicotina, mas, ao contrário do que a grande maioria acredita, a nicotina causa pouco ou nenhum dano. A fumaça tóxica é a culpada de todas as doenças e mortes relacionadas ao tabaco. Atualmente, existe uma variedade maior de formas alternativas de obter nicotina do que nunca”, afirmou a especialista em seu relatório.  

No Brasil, uma regulamentação de 2009 proibiu a comercialização de cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido. A Anvisa, órgão responsável, vem discutindo o tema, porém ainda não há previsão para conclusão do processo. 

Fonte: Jovem Pan