No passado, crença popular associava 'pessoas esclerosadas' à demência, mas especialista explica que termo se refere a outros tipos de degenerações

Esclerose designa algum tipo de degeneração. A demência, apesar de ser um tipo de degeneração, não é considerada hoje uma esclerose. Segundo o neurologista Fernando Freua, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, antigamente, alguns quadros de demência, como a doença de Alzheimer, recebiam essa denominação, sendo chamada de esclerose do tipo Alzheimer, devido à degeneração sofrida no cérebro.

Freua explica que existem algumas doenças neurológicas que recebem a denominação de esclerose, mas duas são as mais conhecidas: a esclerose múltipla e a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Embora ambas as doenças recebam a denominação de esclerose, elas são diferentes e afetam os pacientes de maneiras distintas.

O neurologista afirma que, embora haja a degeneração de partes do sistema nervoso, não obrigatoriamente o paciente que sofra com esclerose sofrerá com problemas que causam mudanças comportamentais ou demência. Os sintomas podem variar conforme as doenças. Freua afirma que a esclerose múltipla apresenta os sintomas conforme o local de inflamação. Já a ELA se manifesta por meio de perda de força e de massa muscular.

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória autoimune do sistema nervoso central e causa a degeneração de vários sistemas neurológicos desse sistema. O diagnóstico é realizado por meio do histórico clínico do paciente e com o exame de ressonância magnética. Freua afirma que a doença costuma atingir mulheres brancas e jovens.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma degeneração que ocorre na porção lateral da medula que causa atrofia muscular. Segundo o neurologista, a doença ocorre por conta da degeneração do neurônio motor, e seu diagnóstico é feito com o histórico clínico do paciente e por meio do exame de eletroneuromiografia, que observa a atividade dos neurônios e dos músculos. De acordo com Freua, a ELA costuma afetar pessoas acima dos 60 anos e teria relação com o tabagismo.

Freua afirma que, embora as doenças não sejam comuns, a esclerose múltipla apresenta mais casos que a ELA. Segundo o neurologista, apenas 10% dos casos de ELA ocorrem por caráter genético, sendo o restante por causas esporádicas ainda não identificadas. Já a esclerose múltipla tem um percentual ainda menor de hereditariedade e não há uma causa estabelecida.

O neurologista afirma que ambas as doenças têm tratamento, mas não podem ser curadas. Para a ELA, o tratamento é feito com medicamentos orais. Porém, a doença tem alto grau de letalidade, com uma taxa de sobrevida de dois anos. Já a esclerose múltipla apresenta tratamento eficaz, que pode ser oral ou injetável. Ambos os tratamentos são oferecidos pelo SUS.

Fonte: R7

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