China e EUA voltam a negociar apesar da ameaça de tarifas de Washington


AFP / Héctor Retamal – Homem caminha pelo distrito financeiro de Xangai em 7 de maio de 2019

Os produtores de soja e a indústria americana pediram, nesta terça-feira, para o presidente Donald Trump retirar sua ameaça de impor novas tarifas aos produtos chineses e dar fim em breve à guerra comercial com Pequim.

Essa mensagem teve como reforço a agitação dos mercados pois nos Estados Unidos chegaram a cair 2% pela primeira vez em meses por medo de que as novas tensões entre as maiores economias mundiais desistam de um acordo.

Trump se propõe a mais que duplicar as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, após seus negociadores acusarem Pequim de ter voltado atrás em compromissos já assumidos para reduzir o déficit comercial americano, interromper o roubo de tecnologia e reduzir os maciços subsídios à produção.

Os produtores norte-americanos, que têm a China como seu principal cliente, temem represálias de Pequim que estenderão as dificuldades que vêm sentindo desde o ano passado devido à guerra comercial, disse Davie Stephens, presidente da associação que reúne os cultivadores da oleaginosa.

No ano passado, as vendas de soja dos EUA para a China caíram 75% em relação a 2017 e chegaram a pouco mais de US$ 3 bilhões depois que Pequim impôs tarifas em retaliação às medidas aduaneiras de Trump.

Stephens disse que os preços estão em queda, então “a China precisa reabrir seu mercado para as exportações de soja dos EUA em questão de semanas, não meses” e antes do início da safra de 2019, em setembro.

“O custo financeiro e emocional pago pelos produtores de soja americanos não pode ser ignorado”, disse.

A indústria química tem problemas semelhantes e também pediu à Casa Branca uma solução rápida para a questão.

“Os riscos de continuar usando as tarifas como uma tática de negociação com a China são simplesmente muito altos e não está claro se eles têm algum benefício em potencial”, disse Cal Dooley, presidente do Chemical Industry Council dos Estados Unidos.

“A China fornece aos Estados Unidos numerosos produtos químicos que não estão disponíveis em outros lugares e são insumos essenciais para a fabricação nos Estados Unidos”, disse ele.


AFP / John SAEKIBalança comercial dos EUA em 2018

Apesar da dura retórica americana, a China afirmou nesta terça que seu principal negociador, Liu He, visitará Washington na quinta-feira e sexta-feira – um dia depois do originalmente previsto.

O anúncio foi bem recebido nas bolsas de valores chinesas, que caíram na véspera, com o anúncio de novas sanções comerciais americanas.

“A China sempre acredita no respeito mútuo. A igualdade e os benefícios mútuos são a premissa e a base para se chegar a um acordo. Acrescentar tarifas não resolverá nenhum problema”, disse Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

Na terça-feira, os mercados americanos fecharam pior que na segunda-feira. Em Wall Street, os índices que perderam mais de 2%, mas depois recuperaram parte do terreno. O Dow Jones fechou com uma queda de 1,79%.

Os ventos da guerra semearam preocupação.

“Está claro que as tensões entre Estados Unidos e China são uma ameaça para a economia mundial”, declarou a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, antes de lamentar que os recentes “boatos, tuítes e comentários não são muito favoráveis” a um acordo.

– Acordo ou conflito? –

A nova rodada de negociações é considerada a última, que deve apresentar um resultado ou provocar uma nova guerra comercial.

Até o momento a economia dos Estados Unidos limitou o impacto da guerra comercial, mas analistas apontam que uma prorrogação do conflito terá consequências.

A tensão contrasta com a calma dos últimos meses nas negociações comerciais, nas quais os representantes americanos e chineses elogiaram os “progressos” nas conversações.

No momento, a conjuntura parece favorável a Trump, com um crescimento mais sólido que o previsto no primeiro trimestre (+3,2%), enquanto a economia chinesa foi afetada no ano passado pelas tarifas.

Trump afirma que a China tem mais a perder que os Estados Unidos no conflito porque pode aplicar no máximo tarifas a 120.000 bilhões de dólares de mercadorias americanas (o valor das exportações em 2018).

O Conselho Econômico China-EUA afirmou que as exportações americanas para a China caíram no ano passado e que os estados americanos que mais exportam sofrem com as tarifas chinesas.

“Os Estados Unidos perdem há anos entre 600 e 800 bilhões de dólares anualmente no comércio. Com a China perdemos 500 bilhões de dólares”, escreveu Trump na segunda-feira no Twitter.

Fonte: AFP

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