As ruas não negam, nem as famosas: Kate Hudson, Cara Delevingne, Isabella Santoni, Kristen Stewart, Millie Bobby Brown e até Britney Spears, nos longínquos 2007, são prova de que o corte não se restringe aos guetos da moda ou às cabeças masculinas.

Uma simples busca no Facebook pelo termo “careca” entrega dezenas de grupos formados por mulheres que compartilham o estilo cabeça raspada. No “Relatos das carecas” são mais de duas mil mulheres.O “Mulher careca: uma questão de estilo” reúne quase três mil participantes. Nesses espaços, a ideia é compartilhar vivências, contar de “olhares tortos” e inclusive dos desafios que uma mulher precisa enfrentar por escolher (quase) não ter cabelo.

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“No Brasil, raspar o cabelo é ser menos mulher” Para uma mulher, ainda mais no Brasil, ostentar uma cabeça despida de longos fios é mais do que uma tendência capilar, “é um ato político, um discurso de liberdade e autonomia”, defende a psicanalista Joana de Vilhena Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC-Rio e autora de “O Intolerável Peso da Feiura: Sobre as Mulheres e Seus Corpos” (ed. PUC/Garamond).

Ela explica: “Ao lado dos seios, o cabelo é um dos símbolos máximos do feminino. Não à toa, em algumas culturas ele é tão ameaçador. No Islã, por exemplo, uma mulher é capaz de seduzir um homem através do cabelo. Daí, a burca para cobri-lo. Se fomos contextualizar o cabelo feminino na cultura brasileira,não podemos esquecer do quão conservadora e machista é a construção da feminilidade da mulher daqui. Aliás, no Brasil, raspar o cabelo é visto como ser menos mulher.”

Joana fala ainda da diferença entre uma mulher raspar a cabeça no Brasil e na Alemanha, por exemplo. “No imaginário brasileiro, a mulher ainda é muito objetificada e sexualizada. Esperam de nós os tradicionais signos estéticos do feminino –devemos ser bonitas, magras, com peitos e quadris grandes, com cabelos longos e alinhados, maquiadas e comportadas.Que não somente sejamos mulheres, mas que aparentemos ser mulheres. Isso é bem diferente em lugares onde o capital de uma mulher não está apenas em seu corpo.”

Fonte: UOL

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