Depósito direto na conta dos trabalhadores, sem passar pela terceirizada, foi anunciado no final da tarde de ontem como medida de urgência para amenizar a greve

A Secretaria Estadual de Saúde garante que a operação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), responsável pelo encaminhamento de socorro a 267 cidades do Rio Grande do Sul, foi normalizado na manhã desta quarta-feira (15). Segundo a pasta, já foi iniciado o pagamento dos salários dos telefonistas e rádio-operadores terceirizados, que fizeram paralisação por conta dos atrasos nos depósitos pela empresa FA Recursos Humanos.

O depósito direto na conta dos trabalhadores, sem passar pela terceirizada, foi anunciado no final da tarde de ontem como medida de urgência para amenizar a greve que começou na segunda-feira (13). A Secretaria da Saúde afirma que trabalha para concluir os depósitos aos terceirizados o mais rápido possível. Ainda na terça, a pasta começou a solicitar a documentação dos trabalhadores para encaminhar o pagamento, após ter a confirmação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre a legalidade do procedimento.

GaúchaZH fez uma ligação para o Samu por volta das 9h30min em Santa Maria, um dos municípios que tiveram o serviço prejudicado a partir de segunda-feira, e uma telefonista atendeu imediatamente. Os Bombeiros da cidade, que estavam recebendo chamados durante a paralisação, afirmaram que o serviço pelo número 192 voltou a operar nesta manhã.

Uma funcionária terceirizada, que pediu para não ser identificada, afirmou que a medida anunciada pelo Estado, de pagamento direto aos trabalhadores, quitaria somente os salários de julho e os vales transporte e refeição de julho e agosto. O décimo terceiro do ano passado, o salário de junho e de agosto seguiriam sem ser pagos.

O Estado diz fez todos os repasses previstos à empregadora, a FA Recursos Humanos. Já a empresa afirma que está com as contas bloqueadas por causa de uma ação trabalhista e por isso não providenciou os depósitos. Como resposta, a pasta já multou em R$ 140 mil a empresa por descumprimento de contrato e agora estuda rescindir a parceria.

A funcionária que preferiu manter o sigilo diz que vê as contas de casa acumularem sem ter o salário para quitar.

— Não estou pagando as contas. Cartão de crédito já foi suspenso. A luz está atrasada e chego em casa todo o dia rezando ainda não ter sido cortada — desabafa.

Entenda a greve
Telefonistas e rádio-operadores que trabalham na central responsável pelo auxílio da população de 267 dos 497 municípios gaúchos iniciaram, na segunda-feira (13), uma greve por conta dos atrasos nos salários.

Como o serviço é integrado, com a participação de telefonistas, médicos e rádio-operadores na mesma equipe, a falta de uma dessas categorias dificulta o acionamento de ambulâncias e o encaminhamento dos pacientes a hospitais. Os médicos e enfermeiros que atuam na central de atendimento do Samu e fazem parte do quadro da Secretaria da Saúde não estão paralisados. Também as equipes que operam as ambulâncias — incluindo motoristas — e são vinculadas aos municípios seguem trabalhando.

Na noite de segunda-feira (13), o serviço foi completamente suspenso no prédio que fica no pátio do Hospital Sanatório Partenon, em Porto Alegre, local onde é feita a triagem dos casos que serão atendidos pelas equipes nos 267 municípios. Não houve impacto na Capital, em Caxias do Sul, Bagé e Pelotas, que têm regulação municipal (Caxias também atende Vacaria). Nas demais 225 cidades gaúchas, os atendimentos de emergência são feitos por meio de convênios com municípios vizinhos.

Nesta terça-feira (14), o Samu trabalhou com 60% da capacidade, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. A informação da pasta é de que o tempo de atendimento interno, que não considera a chegada de uma ambulância, está estimado em 18 minutos. Em dias com operação total, a média seria de 12 minutos.

Posição da empresa
Não é a primeira vez que a FA Recursos Humanos deixa de pagar os funcionários terceirizados de órgãos públicos. Em setembro do ano passado, serviços de limpeza e cozinha dos Centros de Referência em Assistência Social, casas de passagem, centros de convivência e abrigos de Caxias do Sul ficaram prejudicados por conta de uma greve de funcionários da mesma empresa. No Facebook, postagens de funcionários denunciam o que seria um desleixo da FA Recursos Humanos com o pagamento de salários.

Procurada, a FA se manifestou por e-mail: “Em esclarecimento às notícias veiculadas nesta data, a empresa FA Recursos Humanos Ltda. informa que os pagamentos de todos os seus funcionários restou comprometido em virtude de bloqueios judiciais, determinados em caráter liminar (antes do transito em julgado), especialmente o arresto deferido pela 5ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul, nos autos do processo nº 0020646-17.2018.5.04.0405, no valor de R$ 1.042.000,00, onde a empresa buscou, e continua tentando reverter tais constrições, uma vez que a manutenção destes sequestros inviabilizará a continuidade do empreendimento”.

Fonte: GauchaZH