Audiência foi na tarde desta segunda-feira (16); crime foi em julho deste ano, no Paraná

Anderson Barbosa, acusado de matar a namorada com um taco de beisebol (Foto: Divulgação/RPC)

cusado de matar a namorada com um taco de beisebol, Anderson Barbosa, de 39 anos, participou de uma audiência de instrução e julgamento em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais do Paraná, na tarde de segunda-feira (16). Juliana Nunes, de 33 anos, foi morta em julho deste ano.
(Correção: O G1 errou ao afirmar que Anderson enfrentaria Tribunal do Júri. Na verdade, o processo vai, agora, para a promotoria e também para os advogados apresentarem as alegações finais. Ao fim, a juíza decide se ele vai a júri popular ou não. O erro foi corrigido às 19h04).
A audiência de instrução e julgamento durou cerca de três horas e terminou por volta das 18h15. Sete testemunhas, de acusação e de defesa, foram ouvidas. A maioria disse que o casal tinha um relacionamento normal e que ficou surpresa com a situação.



Entretanto, uma das testemunhas disse que, no início do ano, Juliana contou ter sido agredida por Anderson. Em um dos depoimentos, o réu chegou a chorar.
A mãe da vítima esteve no fórum.
“[Sinto-me] Pior do que o dia que fiquei sabendo que ele tinha matado a minha filha. Cada dia é uma dor maior pela falta que ela faz e pelo que aconteceu. Eu, como mãe, espero que tenha justiça. Não só de Deus, mas do homem”, disse a mãe de Juliana, Célia Nunes, nesta tarde.
“O meu sentimento de dor como mãe é imenso porque ele arrancou um pedaço de mim”, acrescentou.
“O próprio acusado disse diante da juíza que foi ele que tirou a vida da sua ex-companheira e, ao mesmo tempo, os requintes. Agora, é aguardar a decisão dos jurados e ver uma sentença que, esperamos, condenatória”, afirmou o assistente de acusação Ângelo Pilatti.
Anderson também foi ouvido. O depoimento dele durou em torno de 48 minutos. Ele confessou ter matado Juliana e garantiu nunca ter batido nela. O réu também relatou que, na madrugada do crime, ela o agrediu com o taco de beisebol e que ele revidou.
Anderson ainda contou que passou uma corda de nylon no pescoço da então namorada, mas que não se lembra direito de como tudo aconteceu. Ele afirmou que não se reconheceu naquela noite e pediu perdão à sociedade, a Deus e à família da vítima.
“A gente não pode trabalhar, nesse caso especificamente, a negativa de autoria, mesmo porque isso aí já foi divulgado pela imprensa. Não é uma tese que a gente vai trabalhar. A gente espera uma diminuição de pena, uma retirada de qualificadora”, afirmou o advogado dele, Marcos de Lima.
Agora, promotoria e defesa devem apresentar as alegações finais, com os últimos argumentos. Ao fim, a juíza decide se o réu enfrenta o júri popular ou não.



Juliana foi encontrada morta, por volta das 8h do dia 27 de julho, no bar que era sócia com Anderson. Segundo a Polícia Civil, os dois dormiam no local há alguns meses para evitar furtos.
Foi a Polícia Militar (PM) que encontrou o corpo, depois de arrombar a janela. Juliana tinha marcas de agressão na cabeça. Os policiais foram acionados por vizinhos, que ouviram gritos durante a madrugada.
“Sobre a arma do crime, trata-se de um taco de beisebol”, afirmou, à época, a delegada do Setor de Homicídios da Polícia Civil, Tânia Sviercoski. O objeto foi recolhido no local do crime para perícia.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Anderson sai de carro do bar na Rua Rio de Janeiro, no bairro Nova Rússia, às 3h do dia 27.
No local do crime, o suspeito deixou três bilhetes escritos à mão. “Ela pulou em mim com o taco. Só me defendi e acabou. Fiz isso por amor. Ela acabou com a minha vida e me traiu. Dei tudo por ela. Ela sempre quis me enganar. Desculpa”, diziam os recados.



Na tarde do mesmo dia, Anderson foi preso em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Ele confessou o crime e disse que a matou por ciúmes. A intenção era, de acordo com ele, fugir para o Paraguai.
“A princípio, ela pulou em mim. E, aí, aconteceu. Jamais premeditei isso”, disse Anderson à época. Segundo ele, Juliana pegou um taco de beisebol e bateu nele. Ele conta que, em seguida, tomou o objeto e revidou contra a namorada, que morreu. O suspeito afirmou que estava arrependido.
De acordo com a Polícia Civil, em depoimento, Anderson disse também que vinha levando um relacionamento conturbado com Juliana, por causa do bar que mantinham juntos em Ponta Grossa.
Juliana morava com a mãe e deixou uma filha de sete anos, de outro relacionamento.

Fonte: G1